sexta-feira, 30 de outubro de 2009

QUAL O DESTINO DA IMPRENSA DIÁRIA? (Texto de Ignácio Ramonet)

O desastre é enorme. Dezenas de diários estão em queda. Nos Estados Unidos já fecharam pelo menos cento e vinte. E o tsunami golpeia agora a Europa. Nem sequer se salvam os outrora considerados 'jornais de referência': El País na Espanha, Le Monde na França, The Times e The Independent no Reino Unido, Corriere della Sera e La Repubblica na Itália, etc.

Todos eles acumulam fortes perdas econômicas, baixa da difusão e queda da publicidade. O prestigiado New York Times teve que solicitar a ajuda do milionário mexicano Carlos Slim; a empresa editora de The Chicago Tribune e de Los Angeles Times, assim como a Hearst Corporation, dona do San Francisco Chronicle, caíram na bancarrota; News Corp, o poderoso grupo multimédia de Rupert Murdoch que publica o Wall Street Journal, apresentou perdas anuais de 2,5 bilhões de euros…

Para cortar despesas, muitas publicações estão reduzindo o número de páginas; o Washington Post fechou o seu prestigiado suplemento literário Bookworld; o Christian Science Monitor decidiu suprimir a sua edição em papel e existir só na Internet; o Financial Times propõe semanas de três dias aos seus redatores e reduziu drasticamente o número de trabalhadores. As demissões são em massa. Desde janeiro de 2008 foram suprimidos 21.000 empregos nos jornais norte-americanos. Na Espanha, 'entre Junho de 2008 e Abril de 2009, 2.221 jornalistas perderam o seu posto de trabalho'.

A imprensa diária escrita encontra-se à beira do precipício e procura desesperadamente fórmulas para sobreviver. Alguns analistas consideram obsoleto esse modo de informação. Michael Wolf, da Newser, prevê que 80% dos diários norte-americanos desaparecerão. Mais pessimista, Rupert Murdoch prevê que, na próxima década, todos os diários deixarão de existir…
Continue lendo no Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim

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